quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Homem não chora II O retorno - 144



Fábia Lima é irmã do Diogo desde a época de faculdade.  Acho até que foi através dela que Carol apareceu pra iluminar a vida desta casa.  Há anos ela assumiu a festa de Ano Novo no Meu Sítio.  Ela é quem comanda, faz a programação, cardápio, determina quem vai e onde vai dormir, ...  O troço bomba!
Vira dona.  Fica igual Diogo, dando ordem em mim.  Em dona Gêisa não, que ela não é doida...
Mas aí, outro dia, Fábia fez um comentário tão doce quando eu falava da minha emoção vendo as árvores do Meu Sítio dando frutos que eu resolvi postar, com medo de você não ter lido.
Lá vai:

O que você não, sabe, Paulinho, me vendo assim toda prafrentex, é que tive uma infância de sítio igualzinha a que vocês estão dando pro Tomás.

Adoro ouvir minha mãe contando do fogo que coloquei debaixo da cama, das minhas pernas sempre raladas igual à dos meninos e dos meus sumiços, voltando no final do dia imunda, "só dando pra ver o branco dos olhos e dentes".

E adoro lembrar dela fazendo rosca no forno de barro, dos doces no fogão de lenha e da linguiça no varal. Adoro até mesmo a lembrança dos pitos, e da falta de moral quando ela tentava colocar ordem na casa no meio daquela bagunça toda (qualquer semelhança com dona Gêisa fica aqui entre nós).

E adoro lembrar do papai levando a gente pra plantar árvores, colher frutas, fazer horta, construir galinheiro, chiqueiro, arrumar charrete... e quase morro de saudades dele ser mais criança do que nós, ensinando a gente a fazer bagunça e ser ainda mais moleque (você conhece alguém assim?).

Por tudo isso, a acolhida no Meu Sítio é sempre muito mais do que o prazer de estar com vocês: é um jeito de eu reviver a minha própria história e de estar perto, de novo, deste tempo tão delicioso.

E o melhor a gente já sabe: enquanto revive nossa história, a gente está construindo outras para o Tomás contar pros filhos e netos dele! E os casos que ele vai contar, Paulinho, serão mesmo os mais incríveis do mundo!!!

Beijão pra vocês. Te amo. :)

Pronto.  Danei a chorar de novo...


Em tempo:  Um punhado das árvores que estão lá foram, digamos assim, subtraídas por ela da Floricultura Mangabeiras.
Fora uma outra história, impublicável, que eu só posso te contar no pé do ouvido, sem testemunhas...


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vendetta - 143



Quando eu fui pra França, Diogo recém nascido, levava na bagagem a camisa 9 do Galo, à época propriedade do Reinaldo, o baby-craque.  Lá, a camisa virou bandeira e decorava o quarto do Diogo, na esperança de bom encaminhamento pro menino.

Não sei exatamente por qual razão, Diogo, e de quebra, as meninas, viraram cruzeirenses convictos.  Acho que devo a isto o profundo desinteresse que passei a ter pelo futebol.

Mas aí, sabe-se lá o porque, Tomás começou a gritar Galo!  Do nada.  Diogo tentava de tudo.  Dava camisa, dava bola, nada...  O menino, saia, rindo, repetindo o bordão que, no meu entendimento, era a coisa mais horrorosa que podia ocorrer àquela cabecinha:
-  Cuzelo fedolento.  Galo bonitinho!

Domingo, a gente no Meu Sítio, comecei a sentir o cheiro de armação no ar.  Diogo misterioso, Carol misteriosa...  No meio da tarde, veio a bomba: 
- Nós vamos com o Digo[1] levar o Tomás pra ver o jogo do Cruzeiro.

Tentei seduzir Tomás pra vir brincar na piscina mas Diogo apelou.
-  Não dificulta não, pai.  É sério!
E fez o assunto morrer ali.

Digo já tinha armado tudo.  Como sabia da aversão do Tomás pela camisa azul, providenciou uma camisa amarela.  Armou pro menino entrar em campo com o Raposão[2].  Pura lavagem cerebral...

Fiquei o fim de tarde amuado.  Já quase na hora de voltar, tomando banho, escuto a voz do Tomás, chegando do campo:
-  Cuzelo fedolento. Galo lindinho!
A lavagem cerebral não tinha dado certo.

Tomás olhava pra mim e pedia pra cantar o hino do Galo.  Digo ligou, morrendo de rir, pra me contar o fracasso da estratégia de sedução. E terminou, rachando, com uma falsa irritação:
-  O pai do menino é um banana!  Eu não deixava isto acontecer com filho meu de jeito nenhum...

Espera, Rodrigo.  Eu e o Cris da Ciça já estamos armando um jogo do Galo pra levar o Tomás.



[1] Pra você ver o tamanho da encrenca, Digo, além de padrinho do Tomás, é tão cruzeirense que quando casou com a Carol dele, fez questão de entrar com ela em um jogo, no Mineirão, vestidos, os dois, de noivos.

[2] Graças a Deus, Diogo atrasou e não chegou a tempo de entrar em campo.  Menos mal...  Ia ser duro se ele gostasse do bichinho.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Homem não chora - 142



Se este título valer alguma coisa, pode procurar outra classificação em que eu me encaixe.  É que o Meu Sítio está lindo, com esta chuvarada.  Nascendo fruta pra todo canto.

Já na entrada, tem um pé de amora que deixa Tomás com a boca pretinha.  Lindo.  Ele adora subir no pé e só sai de lá com a roupa imunda...  E agora a coisa ficou mais bonita ainda:  tem um ninho de tucanos ali, com aqueles filhotinhos começando a alçar vôo.  

Na porta da cozinha, tem um pé de acerola que inicia um círculo virtuoso fantástico.  Um,  porque dá fruto que é uma beleza.  E a outra, porque chama passarinho que pra danar.  Aí, já viu, come as frutinhas, caga as sementinhas e começa o ciclo toco de novo.

E a diversão da Gêisa e dos meninos vira esta.  Quando Diogo me trouxe a primeira jabuticada que deu no Meu Sítio, destampei a chorar.  Lembrei de um pé de jabuticaba que papai plantou na casa do Gutierrez.  Acho que ele já estava com câncer.  Devia pensar:  se eu não chupar, vocês chupam.

Agora tem acerola, limão, mexerica, laranja, côco anão. Pequi, caju, manga e mais um punhado...  As frutas todas com história.  As mudas de caju ganhei do Guguta, irmão do Marcelo.  A acerola, foi Paixão que me deu, junto com umas mudas de pinha, que ainda não floresceram.  As lixias do Serginho resolveram morrer.  Comprei 20 pés, pra deixar claro quem manda ali [1].

Agora os meninos resolveram plantar mais um monte de árvores, pra reforçar o bosque que eu vou deixar de herança pros meus netos.  Tem jacarandá, mogno, eucalipto, fora as que não podem ser cortadas nunca mais:  ipês de todas as cores, pau-brasil, pau-mulato.

Uma verdadeira maravilha.  Com isto, minha vida fica mais ou menos arrumada.  Já plantei árvores, já tive filhos e, se você for um pouquinho generoso, a gente pode considerar este blog como um livro.

Bacana, né não?


[1] No dia que eu comprei os pés de lixia, Diogo me olhou incrédulo:  Vinte mesmo, pai?
-  Vinte, falei convicto.  Tenho que mostrar pra elas quem manda neste Meu Sítio! 
(depois do Tomás, é claro...)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pensando melhor, ... - 141



Desde o comecinho desta saga eu já falava com você da minha arrogância e do tanto que ela me fazia mal.  Pedir desculpas, reconhecer erro, isto fazia parte das coisas que eu deixava bem escondidinhas no fundo do meu armário.  Mas, devagarzinho, eu tenho aprendido a rever estas coisas.

Talvez por isto meu entusiasmo com o jeito do Clic, a escolinha do Tomás, ajudar ele a enfrentar as dores de cabeça que aparecem na vida.  Pelo menos eu acho que foi com o povo de lá que Tomasinho aprendeu isto.

Toda vez que Tomás é pego no ato, empreendendo alguma travessura, Diogo e Carol chamam a atenção dele.  Claro que com muito mais eficiência que eu, que devo derramar alguma coisa cheirando paixão que faz ele considerar menos meus esporros.  Com Diogo e Carol, não tem brincadeira.  É tipo “tô falando sério, Tomás”.

Claro que ele, tem hora, encara e arruma uma bateção de boca doida.  Mas, cada vez mais, Tomás encaixa o golpe e assume que errou.  Nestas horas, coisa mais linda, abaixa a cabeça e sai falando:
-  Tá bom, tá bom!

Em linguagem de adulto, é o equivalente a dizer desculpe, eu sei que errei, você tem razão, não precisa ficar repetindo, alguma coisa assim.  Mas, ainda bem, fica a quilômetros de distância da minha testa levantada, boca travada e da dificuldade de pedir perdão.

Esse menino vai levar a vida muito mais leve que a minha, Deus queira...

A história do tá bom, tá bom!!! está mudando minha vida.


 

sábado, 22 de janeiro de 2011

Retrouvailles II - O retorno – 140



Depois que achei Inezinha, como que por acaso, começou uma sucessão de reencontros na minha vida.

Ontem, indo no LifeCenter pegar uns remédios, escuto uma voz na minha nuca:
-  Paulo César Coelho Ferreira!
Era o Binha, meu companheiro do Loyola.  Faziam exatos 47 anos que a gente não se via e parecia que ontem a gente tinha jogado bola.  Acho que hoje ele é um psiquiatra importante.  Na hora, pareceu que a gente estava ali, matando aula.  Morremos de rir quando ele lembrou de um grito de guerra que eu roubei do Paulão (eu acho):
-  Zum, zaravalho, pum, zarapim, qüé qüé, o qüé qüé, zuuuuuum...  Aí a coisa evoluía pra um terreno, digamos assim, impublicável.  Nós dois morrendo de rir, e o povo no elevador, constrangido conosco.  Volto lá, qualquer dia.  No quinto andar.  Morrendo de medo de ele mandar me internar...

Há coisa de um mês, um mês e pouco, saindo da casa do Paulão, escuto meu nome de novo.  Era Padinha, também da turma nossa do Loyola.  Binha, que nem eu, era mais desajeitado.  Mas Padinha era um craque.  Foi o primeiro cara que eu vi, na minha vida, usando um Rainha de couro, preto, pra futebol de salão.  Legítimo.  Um upgrade do kichute...  Coisa só pra virtuose!

E há pouco tempo atrás, me aparece a Thê, minha irmã no Estadual.  Ela e Lígia eram as meninas mais doidas da nossa turma.  Lembro de uma vez que eu ganhei delas um presente de aniversário encantador.  Um cavalinho[1], feito com duas batatas, um palito de pescoço, quatro palitos de patas e um barbante de rabo.  Inesquecível.  Depois, me aplicaram n’O apanhador no campo de centeio.
Ela ficou um dedinho incomodada quando eu contei que, apesar da hemodiálise, eu estava lindo.  Me trucou no ato.

Esta semana vou encontrar com ela, levando o livro Fragilidade, do Jean-Claude Carrière, de presente, que foi quem me ensinou a focar no que realmente era importante.

E acho significativo que essas três pessoas, mais Inezinha, tenham reaparecido, justamente quando eu estou retomando o que me tem sido mais relevante na minha vida:  meus amigos!

 
 


[1]  Talvez fosse um boizinho!!!


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Edição Extraordinária 47 - Guarda Chuva



Outro dia mesmo eu estava irritado com a inércia que atinge nós todos nos momentos de crise.  Como se, diante do horror, a gente ficasse travado, sem ação, não sabendo direito como proceder.

Aí apareceu o Movimento Guarda-Chuva, um movimento criado por empresas que acreditam que a comunicação é capaz de articular pessoas e propósitos. Um movimento criado por empresas que acreditam na força de uma ideia, principalmente quando essa ideia é a mobilização para ajudar as vítimas da maior catástrofe natural já ocorrida no Brasil. Um movimento criado por empresas que querem mais e mais pessoas e empresas nesse movimento.
Pão, pão, queijo, queijo, é um projeto iniciado pela TOM com o objetivo de usar a comunicação para organizar nossa ansiedade.  Um amigo dos meninos, veja você, está enchendo uma caminhonete com doações e está correndo pra região serrana do Rio.  Correndo o risco de não ter onde dormir, do carro ser engolido por alguma enchente no caminho, essas coisas comuns em situações deste tipo.

Tudo bem.  A Defesa Civil está bem equipada para atender estas situações de crise.  Mas tem um punhado de ações essenciais que antecedem a entrega das doações.  Tipo montar kits de higiene pessoal (fazer uma sacolinha com uma escova de dentes, um dentifrício, um sabonete, um absorvente íntimo, por exemplo).

É aí que entra o Movimento Guarda Chuva.  Você tem três postos da Cruz Vermelha, aqui em Belo Horizonte, que estão precisando de mão de obra.  Esforço braçal, mesmo.  Pra você chegar e ajudar a montar o material que vai ser enviado.

Escolhe aê onde fica mais fácil pra você ajudar:  no Leroy do Belvedere, no Chevrolet Hall na Savassi ou na Cruz Vermelha da Ezequiel Dias, atrás do Parque Municipal.  
Corre lá e dá sua mãozinha, hoje, até 11 horas.

Depois, no http://twitter.com/#!/MoviGuardaChuva, você vai acompanhando o Movimento pelo twitter.  Ou você acha que o espírito Natal já acabou?



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Rapidinhas 03 - Faiô!



Sacanagem!!!
Tô na maior tristeza...
É que, com a história de eu ficar namorando com Dona Gêisa no Meu Sítio nesta virada de ano, acabou que não deu pra organizar a NefroWalker de janeiro.
E, como a gente é protegido, mais uma vez não deu nenhum sinal de chuva.

Paciência.

Fico te devendo uma caminhada ninja pra Lua Cheia de fevereiro.
Pode anotar na sua agenda: dia 18 de fevereiro, sexta feira, na Praça Duque de Caxias.

Vou mantendo você informado.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Luz no fim do túnel - 139



3% é o número que, tecnicamente, baliza o ganho de peso entre uma sessão e outra de hemodiálise.  Mas, ao mesmo tempo, é um número bacana pra um brasileiro médio, de 1 metro e 70, setenta e cinco kg de peso.  Quer dizer, na média, o que se ganha entre uma sessão e outra é algo em torno de 2 kilos.  Isto, repito, o brasileiro médio.

E todo dia lá vinha a psicóloga do Núcleo encher o raio do meu saquinho, me recriminando por eu estar com um ganho de peso médio perto dos 4 quilos.  Foi aí que eu fiquei sabendo do padrão dos 3 % pelo Zé Augusto, meu personal nephrologist.  Apesar do meu ganho estar dentro do meu, digamos assim, porte, perder 4 quilos me deixava (quase) extenuado.  Eu saía da hemo e batia na cama, exausto...

E foi aí que a Sorveteria Valente começou a fazer efeito.  Eu comecei a matar a sede comendo fruta congelada e chupando gelo, em vez de beber água.  O resultado foi surpreendente.  Teve dia que eu cheguei com menos de um quilo de variação.  Mas a média tem ficado em torno de 2 quilos, 2 e pouquinho.

Mais importante do que ganhar uma briga, apoiado na existência do padrão dos 3% da massa corporal, os resultados pra o coração, diz Zé Augusto, são indiscutíveis.  Quanto menos peso neste ganha e perde intersessões, menos desgaste pra este corpinho que eu gosto tanto.

Tenho adorado chupar gelo.  Cada cubo tem aproximadamente de 15 a 20 ml.  Mesmo passando a manhã toda com o gelo na boca, eu acabo tomando só 200 e poucos ml.  Um copo dágua.

Na próxima vez que você me convidar para ir na sua casa, o cardápio já está definido:  cubos de figo, melancia, maçã, pêra, congelados.  E pedras de gelo.

Você, eu não sei.  Mas eu, vou adorar...

 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Rapidinhas 02 - Descaso


Saco!
Alkimin, assustado, falou que não se constrói saneamento da noite pro dia.
Agora, o presidente da Sapesp cheio de blá blá blá no http://tv.estadao.com.br/videos,enchente-em-franco-da-rocha-tudo-que-a-sabesp-podia-ter-feito-foi-feito,129237,250,0.htm dizendo que fez tudo o que podia...
Atenção, governantes:
1. Vai chover pra c*r*lho no verão de 2012
2. Vai chover pra c*r*lho no verão de 2013
3. Vai chover pra c*r*lho no verão de 2014
4. Vai chover pra c*r*lho no verão de 2015
5. Vai chover pra c*r*lho no verão de 2016
e nos outros anos todos também...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Edição Extraordinária 46 - Overdose




Primeiro foi o Allê de Guarulhos que começou a procurar como importar o suco.  Me recomendou que comesse a romã com abelha e tudo e largasse esta bobagem de fazer suco.  Aí Júlio, meu irmão que deixou um bilhete meu pra Ele no Muro das Lamentações em Jerusalém, arrumou um concentrado de romã[1] que você acha em qualquer mercadinho árabe[2].  Aí, Gláucia, irmã da Gêisa e do Gilberto que arrumou o ônibus pra banda da PM, chegou aqui em casa louca atrás de extrato de romã.  Recomendação da dermatologista, que era bom pra pele, pra blá, blá, blá...  E nós conseguimos uns quatro fornecedores.  Andando no Mercado Central atrás do concentrado, descobri um xarope de romã, que dá pra fazer uma raspadinha maravilhosa[3].

E, por falar em banda, Marili, que mexeu os pauzinhos pra coisa dar certo, achou o suco em um freeshop numa viagem que ela fez a Nova Iorque.  Pra finalizar, Flavinha, minha irmã, chegou no Meu Sítio com umas romãs megablaster, gigantescas, que ela encontrou na véspera do Dia de Reis.

Quer dizer, ando fazendo a maior força pra controlar mas minha casa anda toda cheirando romã, esses dias.  Eu estou achando lindo.  Ciça e Gêisa estão implicando um pouco.  Falam que eu sou meio exagerado...

Bobagem, digo eu.  É só uma fase!


 
[1]  Coloca água e fica um suco recomposto maravilhoso.

[2]  Só em São Paulo.  Dona Hanna, no Mercado Central, não tem e me recomendou mil lugares.  Não achei em nenhum.

[3]  Primeira festa que tiver aqui em casa, vou inventar um coquetel de romã...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pré Ocupado - 138



Passei a véspera do ano novo com o angu na mão.  Pela primeira vez, eu e Gêisa tínhamos decidido passar um tempo no Meu Sítio e, junto, isto significava que, pela primeira vez também, eu ia experimentar fazer minha diálise em um centro desconhecido. 
Em Sete Lagoas... 
Tudo bem.  
Não é nenhum fim de mundo mas não chega a ser um pedaço da Bélgica...
Lá fui eu, puro preconceito, morrendo de medo do que me esperava, longe do meu porto seguro aqui no Núcleo.

Meu medo crescia ainda mais quando lembrava que, há coisa de uns três ou quatro anos atrás, a nefrologia lá andou tão mal das pernas que as pessoas tinham que vir fazer diálise em BH, em um quarto turno (que foi a forma de atender a demanda assim, de uma hora pra outra).

A tensão ficou pior ainda porque, na semana que antecedia o Natal, fui informado que não haveria vaga.  Mas eu queria muito passar os 10 dias no Meu Sítio[1].  Já estava negociando com Gêisa e os meninos que eu viria e voltaria a BH de ônibus. 
O que, il va sans dire, deixava dona Gêisa com uma beiça gigantesca...  Ela nem considerava a hipótese.

Até que, faltando dois dias pra viagem, Papai Noel me liga dando a notícia que tinha vaga na Nefrovida em Sete Lagoas.  Agora era arrumar coragem e enfrentar esta onça...

Mas rapá, você acredita que lá era um pedaço da Bélgica?

O Nefrovida é, definitivamente, um espetáculo.  Tudo novinho, amplo, arejado, iluminadinho, umas dez tvzonas de plasma passando Tititi, maravilha das maravilhas.

Os caras têm uma perfeita noção do conceito de Experiência em Marketing.  Tudo com uma marca definitiva do cuidado com o cliente.  Fiquei apaixonado.  E com um diferencial relevante pra mim:  todos os técnicos de enfermagem eram, na verdade, técnicAs.  Todas.  Ficavam aquelas anjinhas me enchendo de cuidado...

No dia de vir embora eu quis tirar uma foto com a Joseane.  Mas ela ficou com vergonha e, mais uma vez, vocês vão achar que é mentira minha.

Beijo meu pra todo mundo aê.

Em tempo:  Este vídeo foi feito com a mão esquerda.  Por isto está todo tremido.  Mas dá uma idéia boa da qualidade do serviço e do acolhimento do NefroVida da Irmandade Nossa Senhora das Graças de Sete Lagoas.


[1] Tomás continua bravo, até hoje, e me corrige, ligeiro.  Fazenda, vovô!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O sábio do céu - 137



Toninho Camargos, meu cunhado, é músico velho de guerra.  Acho que foi com seu talento como compositor de samba que ele seduziu Regina, minha irmã.  Com isto, já faz um bom tempo que os dois estão caminhando juntos.

Gosta tanto de música que colocou uma pesquisa profunda que ele fez sobre Noel Rosa em um blog fantástico, lançado em homenagem ao centenário: http://noelrosacentenario.wordpress.com/ Diz ele, no título, que o blog é “uma reverência ao jovem e eterno compositor carioca, figura emblemática do samba e da música brasileira”.

Como todo bom músico, Toninho é rigoroso ao extremo.  Principalmente com ele mesmo.  Tanto que, no dia 12 de outubro do ano passado ele escreveu esta música pro Valente.  Ficou olhando, em dúvida, e acabou me encaminhando a letra, perto do meu aniversário.  Linda, gravada pelo Cadinho Faria, parceiro dele de longa data.  Mas claro, recusei. 
Queria com Toninho fazendo o vocal também.

Apesar de ter um estúdio em casa, ele fugia de mim de toda maneira.  Inventava desculpa, dizia que tinha ficado rouco, escorregava que nem quiabo.  Cada dia era uma desculpa...

Este ano ele saiu comigo de amigo oculto.  E tem tempo que, no amigo oculto, eu prefiro ganhar algo feito por quem me tirar.  Qualquer coisa, desde que feita pela pessoa.  Pode ser poema escrito, desenho, pintura, um bolo...  Qualquer coisa, desde que não seja comprada.

Sem querer, foi o mote.

A única coisa que Toninho acha que sabe fazer é música.  Resultado:  teve que enfrentar a trava e concluir o projeto.  Colocou a voz e me deu o cd com a música que ele havia feito pro Valente de Natal. 

Fui pro meu quarto, ouvir escondido, chorando...


Enquanto eu estou apanhando pra postar aqui, você pode este vídeo no http://www.facebook.com/#!/video/video.php?v=181288631893915&comments

 


Em tempo:  de faixa bônus, ganhei “Violão Barroco”, dele e do Jorginho Fernando, linda também.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Rapidinhas 01 - Aniversário do Ives



Hoje foi aniversário do Ives, o personal chef de cuisine dA saga de Valente.  Dele e, diga-se de passagem, Jesus de Nazaré.  Só nego duro.  O site do Estado de Minas, de onde tirei esta foto, falou que ele juntou mais de 4.000 amigos pra comemorar.  

Parabéns, Ives.


Edição Extraordinária 45 - Papai Noel



Na minha vida toda, meu aniversário sempre foi motivo de stress.  Não gosto de comemorar, fico constrangido quando você me liga dando parabéns, morro de vergonha.

Este ano, me ocorreu uma idéia que foi a solução dos meus problemas.  Pedi a todo mundo que me desse brinquedo de presente.  Recebi uma cacetada.  Adorei.
Aí, pra não gerar muita relação com aquela quantidade de brinquedo novinho, brilhando, nem desembrulhei.  E combinei com Tomás, como forma de exercitar o desapego, que a gente ia levar tudo pros meninos que não tinham presente.  Tomás entendeu e gostou da idéia, apesar de olhar com uma certa afinidade pra uma bicicleta grande, que estava ficando do tamanho ideal pra ele.  Por sorte, a bicicleta era rosa e ele logo deixou de lado a idéia.  Liguei pra Teresa do Damião, no Hospital da Baleia, e ela armou com a Érica uma visita especial.

Como a ala tinha muito menino com tuberculose e outras doenças transmissíveis, a Érica, cuidadosa, produziu uma entrega simbólica com uma princesinha de 7 anos, a Amanda, que estava “só” com o braço quebrado.

Aí foi um vexame só.  Eu chorando, a mãe da Amanda chorando, Sofia, irmã da Carol, que tinha ido junto, chorando, só Tomás e Amanda se divertindo, achando a coisa legal.

Com isto, resolvi minha vida.  Todo aniversário agora comemoro feliz e você me dá brinquedo.  Depois, eu e Tomás levamos pra alguém que tem menos chance de ganhar presente.

Tem que exercitar o desapego, me ensina a Lisa.



ps:  Tem mais foto no facebook

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Edição Extraordinária 44 - A volta da Praça Floriano Peixoto



Cláudia Barsand, que é responsável pelo Centro de Referência do Deficiente Físico da Prefeitura, e que aparece comigo no final do vídeo, fala que se tem gente que gosta de banda é doido, criança e deficiente físico.  Acho que fiquei feliz porque encaixo igual luva nos três casos.  E foi o que mais tinha na Praça Floriano Peixoto.

Quando Aldinha falou que ia conseguir a banda, ainda na Volta da Barragem Santa Lúcia, eu, claro, não levei muito à sério.  A bem da verdade, nem ela mesma, eu acho.  Mas na hora que, segunda-feira, o SubTenente Rogério ligou pra confirmar, aí eu senti firmeza.  Aldinha tinha envolvido até o Gabinete do Governador pra gente ganhar este presente.

O pior é que, como bons militares, os caras chegaram na hora marcada.  Eu, com a maior cara de pau, blefei e falei com ele: 
-  A turma nossa já está andando.  Pode armar a banda que vai só aproximando gente.
E não deu outra.  Tenente Rogério, o maestro da banda, foi começando e foi só juntando gente.  Tinha menininho passeando com cachorrinho, doido vendendo flor, nós chegando...  Até mamãe que não sai de casa nem que a vaca tussa, chegou lá, caminhando devagarzinho.

Cheio das manhas, o Tenente Rogério, avisou com antecedência que ia fazer as duas saideiras quando já tocava há uns 45 minutos.  Deixou pra sapecar Emoções no final, o que fez uma boa quantidade de gente ali encher os olhos dágua.

Da minha parte, gostei mais porque o evento foi o mais perfeito caso de autogestão que já rolou nos NefroWalkers.  Aldinha virou e mexeu pra conseguir a banda, Gilberto da Viação Sagrada Família virou e mexeu pra conseguir o transporte, Xandão, o Moët et Xandon do facebook, virou e mexeu pra gravar e editar de forma primorosa este vídeo que está aí embaixo, Flavinha virou e mexeu pra gente fazer o alongamento antes da caminhada, Cláudia virou e mexeu pra trazer o Hugo, mais um professor da PUC pro grupo, Marcílio, nosso personal chef de cuisine vai virar e mexer no almoço de Natal do Restaurante Popular da Prefeitura pro Secretário de Saúde caminhar com a gente, Leo virou e mexeu pra levar a Tetê,...

Tudo funcionando como se tivesse uma superorganização por trás.  Fora que Tomasinho ficou tão siderado, vendo a banda, que nem queria papo comigo.

Caminhar que é bom, foi quase nada.  Mas, mais uma vez, quem foi, se divertiu até e quem não foi, perdeu.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rede e a Bia - 136



Morro de medo do Martinho um dia perder a paciência comigo e contratar uma dessas milícias e mandar me esquartejar.  
É que eu tenho a maior dificuldade do mundo em esconder meu encantamento com a Bia Sathler, mesmo com um tempão sem encontrar com a moça.

Bia é tão doce que, mesmo aposentada, insiste em orientar aluno da UFMG nos pós de comunicação, como voluntária.
A praia dela, há anos, é rede social.

Depois de prometer várias vezes de aparecer nas nossas caminhadas, ontem Bia e Marinho apareceram.  Já quase no finalzinho, com a gente indo embora e ela surge, iluminando.  Pelo menos, me iluminando.
A gente conversou um pouquinho mas, como bom anjo, Bia nem sabe que me deu uma idéia louca.  Começou hoje.

Iniciei no facebook um grupo chamado “Blogueiros em Recuperação”.  A idéia é reunir ali tudo que é blogueiro que escreve sobre sua luta, seja lá contra qual doença for.
Já coloquei Nana Roig, uma gaúcha que, do lado de Gramado, fica doida pra viajar, que está brigando com um linfoma.  Mais Sakana-san, o deboche em pessoa, escondida por trás de uma pele de cordeiro frágil, que está esperando um transplante duplo de pâncreas e rim.  E Márcia Cabrita, que está se recuperando de um câncer pra voltar pro tablado, que é seu habitat preferido.

Daí, se você souber de algum blogueiro que esteja brigando com alguma doença, pede a ele pra entrar pro grupo, no facebook.  Nossa idéia é ser um centro de referência só para blogs.  Aí, se você quiser dar apoio, vai direto na página e conversa com o autor lá.  Nós queremos juntar só blogueiros, trocando dicas.  Interna corporis, digamos assim.

Leo Lage hoje queria, de todo jeito, dizer que me ama na página do Blogueiros.  Falei com ele:  ou me liga e diz que me ama, ou vai direto na minha página.  O grupo do facebook é só pra blogueiros.

A graça da inspiração da Bia é isto.  Num minutinho, a coisa se espalha como um rastilho.



ps:  Amanhã posto as fotos do V NefroWalker.  A banda da PM bombou...


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Edição Extraordinária 43 - É hoje



Cláudia Barsand, do Centro de Referência da Pessoa com Deficiência, desde a primeira caminhada foi uma das grandes estimuladoras das Voltas da Lua Cheia.  Não sei o nome exato, mas ela também é a responsável pela cadeira que cuida de esportes para pessoas com necessidades especiais da Escola de Educação Física da PUC.

Eu tenho sempre preferido ilustrar os convites das nossas caminhadas com o Príncipe Valente em meio a quebradeiras horrorosas.  Mas perto do povo da Cláudia, eu e o Valente somos um bando de amadores.  Quase uns mariquinhas.

Esse aí já aconteceu.  Mas é pior do que aquelas lutas de vale-tudo na televisão.  E ai de você se tentar ajudar um dos cadeirantes a se levantar no caso de um choque mais violento.  Isto é problema deles...
É bom ficar de olho porque toda hora tem programação.

Esse intróito foi só pra você, que tá achando que a gente é bam bam bam com as Voltas da Lua Cheia.  A gente é pinto, perto deste povo do Centro de Referência.

Em todo caso, hoje vai ter a Banda de Música da PM fazendo um espetáculo pra nós.  TiBetinho garantiu o transporte dos músicos com um belíssimo ônibus da Viação Sagrada Família.  A ele, nosso muito obrigado.

Espero você na Praça Marechal Floriano, por volta de 19:30.