sábado, 22 de janeiro de 2011

Retrouvailles II - O retorno – 140



Depois que achei Inezinha, como que por acaso, começou uma sucessão de reencontros na minha vida.

Ontem, indo no LifeCenter pegar uns remédios, escuto uma voz na minha nuca:
-  Paulo César Coelho Ferreira!
Era o Binha, meu companheiro do Loyola.  Faziam exatos 47 anos que a gente não se via e parecia que ontem a gente tinha jogado bola.  Acho que hoje ele é um psiquiatra importante.  Na hora, pareceu que a gente estava ali, matando aula.  Morremos de rir quando ele lembrou de um grito de guerra que eu roubei do Paulão (eu acho):
-  Zum, zaravalho, pum, zarapim, qüé qüé, o qüé qüé, zuuuuuum...  Aí a coisa evoluía pra um terreno, digamos assim, impublicável.  Nós dois morrendo de rir, e o povo no elevador, constrangido conosco.  Volto lá, qualquer dia.  No quinto andar.  Morrendo de medo de ele mandar me internar...

Há coisa de um mês, um mês e pouco, saindo da casa do Paulão, escuto meu nome de novo.  Era Padinha, também da turma nossa do Loyola.  Binha, que nem eu, era mais desajeitado.  Mas Padinha era um craque.  Foi o primeiro cara que eu vi, na minha vida, usando um Rainha de couro, preto, pra futebol de salão.  Legítimo.  Um upgrade do kichute...  Coisa só pra virtuose!

E há pouco tempo atrás, me aparece a Thê, minha irmã no Estadual.  Ela e Lígia eram as meninas mais doidas da nossa turma.  Lembro de uma vez que eu ganhei delas um presente de aniversário encantador.  Um cavalinho[1], feito com duas batatas, um palito de pescoço, quatro palitos de patas e um barbante de rabo.  Inesquecível.  Depois, me aplicaram n’O apanhador no campo de centeio.
Ela ficou um dedinho incomodada quando eu contei que, apesar da hemodiálise, eu estava lindo.  Me trucou no ato.

Esta semana vou encontrar com ela, levando o livro Fragilidade, do Jean-Claude Carrière, de presente, que foi quem me ensinou a focar no que realmente era importante.

E acho significativo que essas três pessoas, mais Inezinha, tenham reaparecido, justamente quando eu estou retomando o que me tem sido mais relevante na minha vida:  meus amigos!

 
 


[1]  Talvez fosse um boizinho!!!


10 comentários:

vivi disse...

oowww...volteiii!!!

saudosa !!!!

PC disse...

Eu que estava na bica de morrer, sem você aparecendo aqui, vivi.
Beijos

Ives disse...

Grande Binha. Para mim são dois, Binha e Lelena. Aprendi que quem tem um amigo, tem duas almas...e quando eu viajar, vou continuar por aqui, pertinho dos meus verdadeiros Amigos. Binha é o Cara que tem aquela Esmeralda cravada em seu sorriso gentíl e Amigo, uma Luz especial que brilha no meu coração.

PC disse...

Cacete...
Este mundo é uma azeitona, Ives.
Será que é o mesmo? Vou ver se descubro o telefone dele e vou mandar ele ler o blog.
Beijos

Ives disse...

PC

Confere lá, pois aquele sujinho verde, parecendo um pedaçinho de azeitona, colado no Incisivo central esquerdo dele é na verdade uma reluzente Esmeralda. Nós do arqui-rival Sto.Agostinho, atravessavamos a Contorno, passavamos na porta da casa do Binha e chegavamos correndo à saída do Col.São Paulo, só para admirar as lindinhas de saias azuis quadriculadas.

PC disse...

A gente foi colega com 12/13 anos.
Quer dizer, eu era inofensivo.
Vou falar com ele, Ives.
Muito bonito, você, seu moleque...
Beijos

Renata Feldman disse...

"O Apanhador no Campo de Centeio" marcou, PC. "Fragilidade" eu não conheço mas, pelo que você está falando, deve ser bom mesmo.
Abração!

PC disse...

Você fai adorar, Rê.

ps: tô adorando sua overdose de Valente hoje...

maria thereza disse...

Salinger? O apanhador no campo de centeio? Eu era doida? Devolve. Quero o meu cavalinho de batatas de volta. Vou te aplicar no Georg Groddeck, O homem e seu isso. Depois você me conta em qual das cartas você parou. Mas só vale se me contar daqui a quatro décadas. Antes, tem que cumprir o prometido: o café, o livro, o abraço e você - super saradão. Beijos,

PC disse...

Doida de tudo,Thê.
Na dedicatória, vocês me desejavam muitos sóis amarelos.
E eu lá: como assim, sóis amarelos? E no plural?
Tô lembrando agora: Lígia namorava o Antônio, mais doido que nós todos...