terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sorveteria Valente - 111



De novo, meu talento pra transgressão.
É que eu andei tomando esporro a torto e a direito lá na hemo por causa deste tempo seco que havia pairado por Belo Horizonte.

Qualquer coisinha, minha boca ansiava por um cadinho dágua.  Só que ansiava o dia inteiro.  Babava mesmo...

E o resultado não podia ser diferente.  Chegava no dia da diálise eu tinha que tirar uma quantidade absurda de peso.

Primeiro, eu inventei uma mutreta.  Light.
Era só andar com uma garrafa dágua, encher a boca e, depois de bochechar, cuspir fora.  Melhor ainda quando deixa a garrafa congelando e vai fazendo isto à medida que o gelo liquefaz.
Tá bom, eu concordo.  Bonito, bonito, não é não.  Quem estava perto sempre olhava, achando esquisito.
Mas resolve meu problema direitinho.

Aí entra o genial da história.  Criei a Sorveteria Valente.
Deixo as frutas que eu posso no congelador e vou comendo[1] aos poucos.  Dá pra fazer com melancia, com maçã, com uva, caju, kiwi, morango.  E quando mais calor ou mais seco o tempo, mais delicioso.

O inconveniente é que agora o congelador aqui de casa fica parecendo um sacolão.  Os meninos chegam procurando fruta e tá tudo congelado.  Como meu problema não é o deles, só eu que fico feliz com aquela quantidade de coisa petrificando.

Acaba que só eu tenho motivos pra comemorar...

 


[1] Talvez “roendo o gelo” fosse mais adequado.  Fica com a consistência de um picolé.

6 comentários:

Flávia Coelho disse...

a coisa é meio dificil mesmo, mas , de vez enquando a gente pode bancar o egoista e resolver o "seu" problema pq p/ eles existem milhões de possibilidades. Liga não..... kkkkkkkkk Bjs

PC disse...

Tô comendo um caju congelado aqui, Flávia Coelho.
Devia ter uma lei obrigando todo mundo a comer o caju assim. Não pinga na roupa, não faz lambança...
Uma delícia.

Regina disse...

E nem deve manchar a roupa. No caso do caju amigo (um gole de pinga, uma mordida do caju e assim sucessivamente)isto deve ficar especial. Neste caso a ordem dos fatores não altera o produto; pode ser primeiro a pinga e depois o caju.
Será que o Yves conhece este humilde e maravilhoso drink?

Bjs

PC disse...

Sou rei do caju amigo.
Aprendi em Guarapari.
Mas seguindo o autor, Carlinhos Niemeyer, deve ser feito com gim.
Da próxima vez, preparo um pra vocês no Meusítio.
(Quer dizer, na Fazenda do Cowboy Xonado)

Renata Feldman disse...

É isso aí, caro PC! Com um pouco de criatividade e disposição, dá pra fazer do limão uma limonada! Docinha, com leite condensado e canudinho enfeitando o copo!
Beijos

PC disse...

Eu fico me achando, Rê. Como os pedacinhos como se fosse ambrosia.
Vou começar a comer com mais liturgia.
Copo de champagne, aqueles quardachuvinhas, mó chic...
Adorei.