sexta-feira, 9 de julho de 2010

A voz se alevanta - 90



Desde Camões[1], já estava previsto que uma coisa assim ia acontecer.  Uma hora, um valor mais alto se alevantaria e eu lá, ficaria ali, a ver navios...

Eu e Gêisa estávamos brigando por alguma coisa tão importante que eu nem me lembro mais sobre o que era.  Briga séria...
Devia ser a mania dela de me superproteger, confrontada com minha necessidade adolescente de autonomia que Ciça denunciou na história do dia que o Henrique da Duda nasceu.
Tomás tinha ficado conosco naquela noite.

O arranca rabo devia ser alguma coisa vital como sobre se eu devia ou não sair ou sobre o quanto era perigoso ou não eu ir de táxi.  Eu estava a um passo de jogar a poltrona do nosso quarto no meio da fuça dela. Enfim, uma coisa de capital importância.

É, porque parece brincadeira mas o que permitiu a gente ficar casado este tempo todo foi a mais perfeita divisão de tarefas na casa e a definição exata dos limites de cada um.  À Gêisa cabe as coisas sem importância (gerir a casa, cuidar do Meu Sítio, etc) enquanto eu fico com as decisões realmente estratégicas (se Afganistão deve ou não ser invadido, a manutenção da autonomia do povo palestino, coisas assim).  Sempre que o equilíbrio se altera, o pau quebra com força.

Aí, teve uma hora que foi demais pra mim.  Munido da cara mais brava que eu consegui e falei pra Gêisa:
-  Escuta aqui!

Fui interrompido por uma vozinha que acompanhava, imparcial, a evolução da briga, com uma cara ainda mais brava que a minha, dizendo assim:
-  Escuta aqui você, vovô...!!!

Nós dois olhamos pro Tomás e estouramos de rir.  Esquecemos do que estava em jogo na disputa.

Diz Carol que ele anda assim agora.  Deve ter aprendido a argumentar no Clic, a escolinha dele.  Tá ficando todo cheio de si...






[1] No final da terceira estrofe

12 comentários:

Digo disse...

Você não tem noção do perigo!! Desde quando soube da história da Ciça e da Lisa se atreveram a enfrentar a Tia Geisa, tenho o maior medo/respeito por ela. Diz que no dia ela saiu igual a um trem atrás das meninas... e olha que elas deviam ter uns 5/7 anos...

#cadevivi
#cadetiaregi

PC disse...

Agora, Digo, é o contrário.
Tomás não tem nem 3 anos e já está encarando...
E o pior é que quando eu falei com o Tomás: - Escuta aqui o que?
ele respondeu:
- Escuta aqui você, vovô.
E ria.
Fiquei desmoralizado...

vivi disse...

gentee...toto cada dia melhor!!!!esse garçon vai mandar em tudo daqui a pouco!!!!


bjosaudosos

PC disse...

Como assim, vai?
De mim ele já faz gato e sapato desde que nasceu, Vivi?

Alexandre Mello disse...

Ih, aqui tá a mesma coisa. O Henrique, do alto de seus 3 anos, responde, quando ameaçamos uma bronca: 'Olha o jeito!' igualzinho como a mãe fala quando ele é grosso com as pessoas.

PC disse...

Nós tamos ferrados, Alê.
E felizes, com o futuro que a gente ajuda eles a conseguir.
Mas que eles estão mandando, isto tão...

Flavia disse...

será que um dia eles ainda vão nos levar no banheiro p/ uma bronca mais democrática? Tô ferradaaaa..... mas que eu tô doidinha pra ver isso tô.....
Bjs

Renata Feldman disse...

Aê, Tomás, 2 a 0 procê, meu fofíssimo candidato a genro! É assim que se fala!

PC disse...

Sem chance, Flavinha.
Pode ir engolindo este choro e ir ca-la-di-nha.
Cê ta no sal, fia...

PC disse...

Ele falando alto e Bella se aprontando, ainda bem que o mundo vai acabar em 1012.
Se durar mais que isto, é o Juízo Final, Renata.

redatozim disse...

Típico de menino de Clic... ainda bem.

PC disse...

Graças a Deus, redatô.
Que continuem...