Outro dia, quando eu andava falando do meu lado delirante[1] e o tanto que minhas referências me ajudam, Leo, meu mestre zen, indicou um livro fantástico, do Eduardo Galeano, chamado As palavras andantes[2].
Comprei o livro. E é tão apaixonante que já comprei mais dois[3]. Aproveito esses dias de Carnaval, quando eu fico enfurnado no Meu Sítio, pra terminar de ler.
Mas o livro me fez lembrar de um post com uma história do Ariano Suassuna sobre meu lado mentiroso[4]. Mentira do bem, vamos deixar bem claro.
Logo de cara, ele começa com uma versão fantástica sobre São José cortejando Maria. Encantadora. Quase uma oração.
Diz o Galeano, na “História da justiceira e do arcanjo no palácio das pecadoras”:
“... Creia em mim quando lhe garanto que não se necessita ser um gênio pra cozinhar uma boa história com todos os ingredientes que estou dando-lhe de presente. ...”
Mais na frente, o personagem incentiva a gente a mentir garantindo que “... um escritor deveria saber que numa narração verossímil, o tudo está no que parece nada. ...” Quer dizer, ou a gente se esmera no detalhe, ou a mentira não tem um pingo de credibilidade. Fala se com um aval desse não dá uma vontade interminável de contar histórias inacreditáveis?
E o personagem fecha o desafio pedindo ao interlocutor: “... Por favor, estou rogando, não me ofenda perguntando se esta história aconteceu. Eu estou oferecendo-a para que o senhor faça dela o que melhor lhe aprouver. Não lhe peço que o senhor descreva a chuva daquela noite da visitação do arcanjo: exijo que o senhor me molhe. Decida-se, senhor escritor, e pelo menos uma vez seja a flor que perfuma em vez de ser o cronista do aroma. Escrever o que se vive é coisa de pouca ou nenhuma graça. O desafio está em viver o que se escreve; e na sua idade já vai sendo hora de que o senhor fique sabendo. ...”
Colocando os pingos nos i’s: Daqui pra frente, vou tomar como uma ofensa pessoal você dizer que qualquer coisa, repito[5], qualquer coisa que você ver contada nest’A Saga é mentira.
E fecho aqui igual Eduardo Galeano fecha a história:
Aceite o cordial abraço da
(assinatura ilegível)




























