sexta-feira, 12 de março de 2010

Crise de Identidade - 52



Desde pequeninho (1) , minhas tias de Governador e de Virginópolis me chamavam de Cesão. Com isto, meus primos todos adotaram a prática. Resultado: neguinho me chamando de Cesão (2), pode apostar que é parente e de Valadares (3).

Quando eu fui pro Pandiá, em já não sendo mais tão pequeninho assim, achei mais prudente ser identificado como Paulo César. Esta alcunha me seguiu no Duque de Caxias e no Loyola (4).

Do Loyola fui pro Estadual. E lá eu me perdi.
Por causa de Tomate, joguei minha vocação pro espaço. Aí vieram Betinha, Lu,...
Fiquei irremediavelmente perdido.
Por uma brincadeira do Marcelo, crooner da banda “Os Impossíveis” (5), começaram a me chamar de Paulinho.

E aí Paulinho me acompanhou no cursinho (6), na faculdade e depois na vida profissional. Menos no Estado de Minas que o João Bosco, de sacanagem, começou a me chamar de Paulo Coelho e a coisa pegou. Mas fora dali, todo mundo me conhece é por Paulinho mesmo.

Até que veio a história do tumor.

Todo mundo no hospital me chamava de Seu Paulo.
Todo mundo na UTI me chamava de Seu Paulo.
Todo mundo na Hemodiálise me chama de Seu Paulo.
Até Pedro, o motorista que a Bonequinha de Porcelana me arrumou, me chama de Seu Paulo.

Um dia, eu estava tão incomodado com esta história que, fingindo de distraído, fui com um crachá velho de uma atuação na Dom Cabral. Estava lá: Paulinho César.
Não adiantou nada. Eu desfilava pra lá e pra cá e o povo falando pra mim:
- Seu Paulo, o senhor esqueceu o crachá.

Com a idade e a barba branca já mais compatíveis com Seu Paulo, mesmo assim eu ainda vou demorar a me dar bem com este nome.

Seu Paulo.

Sei...


(1)  Por mais que você não acredite, eu já fui pequeno um dia

(2)  Menos Kika, Mariana e Lesel, que me chamam de Cesão, no maior deboche...

(3)  É engraçado.  Mas o Celsinho, por exemplo, paradoxalmente, tem mais intimidade comigo e me chama de César, em vez de Cesão.  Luiza, irmã da mamãe, também...

(4)  Não quero me deter muito nesta história porque todo mundo lá em casa, filho de soldado, estudou no Colégio Militar. Como eu ia ser padre, papai bancou o sacrifício de me manter no Loyola.
Até que, na 3ª série, tomei bomba. Em religião, você acredita?

(5)  Eu era backing vocal e pandeirista. Nosso maior momento de glória foi no baile de 15 anos da Rejane e um show que a gente deu na Imprensa Oficial. Marcelo na guitarra, Marcos no baixo, Gerson na bateria e eu, parecendo um Naná Vasconcelos, com meu pandeiro.
Loucura, loucura, loucura...

(6)  Aí Gêisa apareceu e tomou conta do pedaço...

22 comentários:

Anônimo disse...

para mim voce é o Cesão, e não tem como chamar de outro modo.Esta de ser padre eu não sabia.Pensando bem,sabe que você daria muito certo escutando cofissão e dando penitencia? padre Danilo que se cuide.Lembra do padre que sua mãe lavava a batina e ele casou?Beijos com carinho Cinha

Anônimo disse...

Você omitiu o próprio jeito de se identificar em chamadas telefônicas: Dr. Paulo.

Gil disse...

a Igreja Católica agradece...

PC disse...

Agora eu fiquei em pânico, Cinha.
Vou procurar saber quem é este padre que casou.

PC disse...

Bem lembrado, anônimo.
Acho que isto só configura melhor a crise de identidade.

PC disse...

Quê isto, Gil.
Pegou pesado.
Se bem que eu acho que você tem razão.
Num sei...
Que crise, ;)))

Anônimo disse...

Dizer que queria ser padre foi a forma que você encontrou para não estudar no Colégio Militar. Já imaginou você usando quepe com esse cabeção?

Cuca

Adriana disse...

E mais recentemente, TiCesar!!!

PC disse...

Segundo mamãe, Cuca, eu ia ser um soldado lindo.
Mas como diz o Gil, ganhou também o Exército ao se ver livre de mim em suas fileiras...

PC disse...

Gosto mais de TiCesinha, Adriana.

Anônimo disse...

Pois para mim é Paulinho mesmo, foi assim que conheci e é assim que gosto, Tia Gegê que me desculpe, Paulinho gostoso de abraçar, gostoso de ficar perto e rir sempre. Beijos
Nicinha

PC disse...

Uai, Nicinha.
Eu fico até vermelho, você falando assim...
Por via das dúvidas, vai me abraçando sempre que puder.

Beijos

Anônimo disse...

Tá dando uma de timido nêgo!!!
Não faz seu tipo.heheheheh
Nicinha

PC disse...

Imagina, Nicinha.
Eeeeeuuuuu!?

Mas vai abraçando, que é bom...

Gil disse...

a Igreja Católica agradece, o Exército Brasileiro agradece, mas em compensação, o Jornalismo agradece !!!

PC disse...

E agradeço eu, Gil, de você arrumar sempre um tempinho pra ler minhas bobagens.

Lucia disse...

Tive uma crise dessa outro dia, quando uma sonora saudação deu-me um curto e quase queimou tds meus neurônios. Horrível, porém inevitável.
Cada caso..Vc passou por vários estilos educacionais...sempre opostos..legal!!! PC.
Bom de ler demais. bjs.

PC disse...

Iiiih, Lúcia.
E ainda esqueci do PC.
Beijos

Luli disse...

Eu ficaria com o Cesão.
Vai que alguém te confunde com o Cielo. Vai se dar superbem!!

PC disse...

No dia que você me assistir cruzando um piscina, ligeiro igual um lambari, você vai me querer na equipe do Minas, Luli.

Juliana disse...

Pra mim é Tio Paulinho. Desde que eu me entendo por gente. Agora, quando e como é que você virou meu tio mesmo? hehe. Acho que nunca perguntei como você e Geisa conheceram minha mae.
Abraço com saudade,
Ju

PC disse...

Melhor nem perguntar, Ju. Você não sabe do que eu e sua mãe já fomos capazes...
Quem começou com Tio Paulinho foi Silvana Hubaide, que era da turminha de Loyola da Nice.