sábado, 18 de dezembro de 2010

Edição Extraordinária 42 - Camisa de força



-  E aí, Celinho?  Gostando de fazer meu pai chorar?
Foi assim que Ciça recebeu Celinho Balona quando ele entrou lá em casa, dizendo que era pro Tomás ficar bom em matemática.
É que eu tinha comentado com ele que Tomás virava três, quatro caixas de isopor no Meu Sítio e, usando garrafa pet de baqueta, improvisava sessões intermináveis de bateria.

Celinho, entre um caminhão de coisas que ele empreende, é doido de jogar pedra e músico.  Baterista.  E dos bãos.  Acompanha o velho Balonão, sempre. Roberto Menescal, quando vem a BH, não abre mão dele.  Quando ficar velho, vai tocar igual ao baterista do Paul McCartney, de tão moleque.

Gêisa caiu igual um patinho, tadinha, na história da matemática.  Celinho explicava a importância que a divisão e o compasso iam ter na vida dele e ela, falando comigo:  por que nós nunca demos uma bateria pros meninos, gente?  Como é que nós não pensamos nisto antes?

Tomás olhou pra bateria como se tocasse desde criancinha.  Sem o menor medo.  Caiu de boca e comeu com farinha...

Eu, da minha parte, como de hábito, desabava em lágrimas (na hora e agora), vendo a tranqüilidade do menino com o presente novo e do quanto eu amo esses meus amigos esquisitos que, a cada hora, me surpreendem de maneira cada vez mais terna.

Claro.  Gostaria que você me indicasse algum prédio para onde eu possa me mudar.  Neste momento, estou me preparando psicologicamente para receber uma carta do síndico recomendando a todos os apartamentos que tenham bateria que se mudem para alhures[1].

Senhoras e senhores, é com indescritível prazer e orgulho que esta Saga apresenta a première deste que será o substituto de Naná Vasconcelos na música brasileira.  Como vocês, ele, o único, Tomás!



ps:  Celinho, que manja como ninguém do assunto, falou com Diogo que previu no Tomás a pegada do John Bohan.  Pra você não dizer que eu sou parcial, faça seu próprio julgamento.
Em não concordando, é porque você não entende nada de música, claro.
Pronto.  Falei.




[1] Fora de brincadeira, isto aconteceu exatamente como eu estou descrevendo com Fábio Kon, filho do Zeca, meu irmão de São Paulo.
Fábio tocava bateria na sala e o síndico mandou uma carta pra TODOS os apartamentos do prédio, pra não parecer coisa pessoal.
-  Pedimos a todos os moradores que tenham bateria em casa blá blá blá ...
Como se isto fosse super normal.
Hoje Fábio terminou um doutorato em Computer Science pela University of Illinois at Urbana-Champaign e, antes de eu perder o contato, estava na USP.
Vou procurar o próprio pra referendar a história.


13 comentários:

Regina disse...

Bom mestre, melhor pupilo. Este será o Pinguinho? Ou seria o Pingolinho?
Tô babando de inveja. Eu queria ganhar uma bateria de presente de 15 anos; o menino já tem uma aos 3. Vai longe este Tomás...

PC disse...

Celinho, imparcial como um sábio, previu nele a pegada do John Bohan.
Pediu pra eu incluir o vídeo e você poder comparar, com a isenção necessária.
Caso discorde, quarde sua opinião pra você.

Sakana-san disse...

Rá! E quem sou eu para discordar, cruzes! ^__-

PC disse...

Você sabe tudo de música, Sakana
Beijos

Anônimo disse...

Chegando aí, vou tentar treinar com ele e trocar por uma volta de trenó !!!!!!!!!!!!!!!!huahuahua

Leo disse...

sacanagem com os vizinhos hein? heheheheeh

mas parece que o menino leva jeito prá coisa mesmo ;-)

PC disse...

Vem sim, Papai Noel. É você chegar e eu corro pra lage, fazer um churrasco de rena. Vem sim...

PC disse...

E Celinho, Léo, morrendo de rir da minha cara apavorada.
Vai ser blueseiro. Toda a incompreensão que ele vai enfrentar acaba forjando o sentimento blues no menino...

Gil disse...

MUDOU UM CASAL COM UM FILHO PRÉ-ADOLESCENTE (QUE TINHA UMA BATERIA)PARA O ANDAR SUPERIOR DE UM CASAL SEM FILHOS.

DE DIA ERA: PLÁPLÁTIPLÁTITIPLÁPLÁPLA...
DE NOITE ERA: PLÁPLÁTIPLÁTITIPLÁPLÁPLA...

NINGUÉM SUPORTAVA MAIS!!!

O MARIDO DO CASAL INCOMODADO, ESPEROU OS PAIS DO MENINO SAIREM E FOI ATÉ LÁ - PASSADOS 2 MINUTOS, SILÊNCIO TOTAL...

A ESPOSA, SURPRESA, PERGUNTOU: O QUE VOCÊ FEZ? QUE SILÊNCIO É ESSE?

O MARIDO RESPONDEU: SIMPLES, ENSINEI ELE A "BATER PUNHETA"...

:)))

PC disse...

Quêisto, tiBeto.
Isto aqui é um blog de respeito...

FabiusKonus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
FabiusKonus disse...

Oi Paulinho,

Realmente o menino tem jeito para a coisa e, com certeza, praticar bateria seriamente vai ajudá-lo com a matemática pois há bastante relação.

Sim, sou professor na USP mas confesso que não me lembro da história da carta do síndico :-)

Grande abraço,
fabio kon.

PC disse...

Confere com Zeca.
Mas se ele também não lembrar, mente e fala que foi verdade.
Em livre docente, todo mundo acredita.
Beijos pra você e no povo todo.