domingo, 21 de novembro de 2010

En vida, amigo - 128



Quando eu era pequeno, minha referência de família sempre era Governador Valadares.  Papai e Mamãe são primos e a família da mamãe saiu de Virginópolis pra começar Governador com o povo do papai, que saiu de Guanhães.
Pra mim, então, Governador só tinha duas coisas: primo e festa.  
As duas, fabulosas.

A gente ia pra lá sem nem se perguntar onde ia ficar.  Era sempre na casa de alguém.  E isto era preciso o suficiente pra gente viajar.  Com quem, onde, não tinha a menor importância.  Sempre tinha lugar.

Aí, nas festas, juntava todo mundo.  Era sempre uma farra.  Cobrindo com lona, um circo; cercando com muro, um hospício.

Passou um tempo, a gente cresceu e os encontros ficavam cada vez mais difíceis, cada um com as dificuldades da vida, e a gente só se encontrava em velório.  Cada vez que morria alguém, ia todo mundo correndo em Governador e voltava correndo.

Quando mamãe completou 80 anos eu senti o movimento pra reverter o quadro.  Os meninos da Tia Fabíola vieram de Brasília, os da Tia Loló vieram de todo canto, todo mundo de Governador veio.  

Aí aconteceu outro movimento bacana.  Os bisnetos da Vovó Maricas, de vez em quando (acho que é por semestre) se encontram.  Produção de festa mesmo.  Juntam dinheiro e, normalmente ficam dois, três dia em, dizem eles, resenha.  As resenhas acontecem meio que aleatoriamente.  Ninguém fazendo questão de nada.  Marcou, vai.  Detalhe: a coisa é discriminatória total.  Neto nem pode aparecer.  Só de bisneto pra baixo.

Ontem foi aniversário da Tia Élcie, o movimento se confirmou.  Todo mundo apareceu, todo mundo feliz, todo mundo emocionado.  Tico me fez lembrar de um poema que eu nem lembro nem autor nem de onde que ele entrou na minha vida.  Mas tá lá.  Serve pra mamãe, pra sua mãe e pra nós todos.  Acho que é anônimo.




En vida, amigo, en vida

Si quieres hacer feliz
a alguien que quieres mucho,
dicelo hoy e dale gusto.
En vida, amigo, en vida.


Si quieres dar una flor,
no esperes a que se muera,
mándale hoy con amor,
en vida, amigo, en vida.


Si quieres decir "te quiero",
a la gente de tu casa,
al amigo, cerca o lejos, dicelo
hoy, en vida, amigo, en vida.


No esperes a que se muera
la gente para quererla
y hacerle sentir tu afecto.
En vida, amigo, en vida.


Tu serás mucho más feliz,
si sabes dar felicidad,
a la gente que conoces,
en vida, amigo, en vida.


Mejor que visitar panteones,
y llenar tumbas de flores,
llena de amor corazónes,
en vida, amigo, en vida.
 

23 comentários:

Nando disse...

Tá na hora de tentar, outra vez, reunir os descendentes da Dona Maricas enquanto temos algumas " FILHAS DA MARICAS" para nos relembrar a nossa querida infância. Fui mais rápido que a Vivi.

PC disse...

A foto oficial das filhas da Maricas foi linda, The Flash.
Fernando bravo, porque a Vivi falou que a camisa vermelha dele era rosa.

Tiago Cruz disse...

Paulinho,
esse poema é lindão mesmo.
Dei uma pesquisada rápida e achei, como autor, um certo A. Rabat. Não tenho a menor idéia de quem seja e nem sei se existe. Me parece que é fruto do folclore espanhol.
De qualquer modo, breve, deve circular por aí traduzido e como sendo de "Jabor", "Veríssimo", "Millôr" ou coisas no gênero.
Abs,
Tiago.

PC disse...

Acho que ele tem alguma coisa a ver com o Caminho de Santiago.
Mas acaba como sendo do Jabor mesmo.

Flavia Coelho disse...

a primeira vez q li este poema foi qdo vc fez aqueles cadernos com a foto da vovó. Desde aquela época eu sempre p/ as pessoas q vc tinha achado não sei onde, e penso q não precisamos saber quem escreveu, temos q tentar colocá-lo em prática. Bjs

PC disse...

Acho que ele foi o espírito da festa da Tia Élcie, Flavia.

marcio disse...

PC,
Você é realmente fantástico. Consegue perceber que atrás de um discurso, meio atrapalhado, existem vários sentimentos que,muitas vezes, a gente não consegue expressar com clareza.
E teve gente que achou que eu estava dizendo que a mamãe não ligava para mim.
Seu blog está du caralho.
Grande abraço.
tico

PC disse...

Tiquinho da Tia Elcie, nós, do Sindicatos dos Preferidos, somos sempre mal interpretados.
Printa isto e leva pra ela.
Bjs

Mariza disse...

PC,
Não fui a festa,estava cuidando da minha mãezinha. Você acredita que ela caiu(pela terceira vez), mas quem tá "maus" somos nós,os filhos.
Ela? Com sede de viver.
Mas enfim, voltei no ônibus da "Tauta", rimos demais..
A Lena e a Vivi da Agda, estavam levando um gato, que resolveu fazer xixi, na cabeça do Mantao.
Rimos muito.
Delícía de família...
En vida, amigo.en vida...

PC disse...

Continuaram rindo, então.
Ô festinha boa, Mariza.

maria antonia disse...

Paulinho, lindo poema! Já repassei a alguns amigos, citando autor desconhecido.Mas eu queria mesmo era dizer assim : postado pelo Paulinho, do blog mais interessante do planeta. E agora, tô sabendo que 'membro do sindicato dos preferidos'...esta foi D+ . bj toninha

PC disse...

E se você conhecer mamãe, tia Elcie e o povo, Toninha, aí que você vai apaixonar de vez...

Raquel Negri disse...

A festa da tia Élcie prá mim já foi um movimento e tanto...Adoro esta coisa de família, rir e chorar ao mesmo tempo. Foi o 'debut' do Márcio e dos meninos no esquemão. Acho que eles gostaram. A Estela com certeza tem no DNA isto bem forte (DEU PRA NOTAR NA FESTA OU FOI IMPRESSÃO MINHA??)...Márcio passou a me 'entender mais (sou capaz de chorar em propaganda e ao mesmo tempo acordar no meio da noite rindo de alguma cena de filme ou até de piada sem graça!!)...Pepê, é meio Zé Leão, mas tá 'bão' demais! Curtiu e falou para os coleguinhas que conheceu um tanto de primo legal no final de semana! O que mais eu poderia querer desta vida? E este poema é tudo de bom...Claro que vou repassar, repassar e repassar...Bjs pro facinho mais fofo que eu conheço! Adorei te ver!

PC disse...

Foi assim que eu aprendi a ser facinho, Raquel.
Estela leva o maior jeito de Coelho. Se Deus ajudar, ela vai dar muito cabelo branco pro Marcinho.
Adorei também aquela farra toda. Mas adorei mais o Marcinho trafegando como se fosse de Virginópolis, todo soltinho...

Adriana disse...

Lindo e verdadeiro!

Adriana disse...

Por que não recebo mais seus feeds?

PC disse...

E isto rolou o tempo todo lá na festa, Adri.
Quanto à sua segunda pergunto, ela é extremamente constrangedora pra minha ignorancia digital.
Que p*##@ é esta de feed?

ps: É que a Sakana-san me acha o Deus da internet porque eu sei anexar filme...

Adriana disse...

Já eu, não seu adicionar vídeo...
Como você pode ver, ignorância digital é relativa...

Bjos

PC disse...

Aaaaaaai, que ridículo, Adriana...
Nem sabe adicionar um vídeo???
Aaaaaaai, ow

Anônimo disse...

AHHHHHHHHHH !!!!! Paulim, vc não tem idéia da falta que isso faz pra quem está fora,viu?
E o choro continua livre...e solto!!

Sakana-san disse...

A vida corrida trata de nos separar de quem gostamos. Meus parentes estão espalhados pelo interior de SP e Mato Grosso e mesmo os que estão aqui na capital estão distantes. Essas reuniões de família estão acontecendo com raridade e... em enterros. Uma pena.

PC disse...

A gente começou a provocar isto e fica uma farra só, Sakana.
Estava começando a filho de primo nem se conhecer...

PC disse...

Anônimo, querido, choro sempre,
E vou ficando mais soltinho...