domingo, 20 de junho de 2010

Saúde Pública - 87


Saiu uma notícia da UFMG dia 18 de junho sobre uma dissertação de mestrado em Saúde Pública, de Gisele Macedo, defendida na Faculdade de Medicina da UFMG. A população analisada foi de 25.557 pacientes do SUS, que iniciaram tratamento hemodialítico entre 2000 e 2004.

Diz a autora que 31,25%, dos pacientes renais brasileiros estão expostos a riscos de infecção, internação e inclusive de morte.  Tudo por que 80% dos pacientes com doenças renais crônicas que começam o tratamento usam um tubo, o cateter, que deve ser temporário.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, recomenda um prazo máximo para uso de “acesso de emergência” seja de 90 dias. É o tal cateter, que eu falei com você na Edição Extraordinária 03.  Só que, na prática, o pessoal que é atendido pelo SUS costuma exceder este prazo, permanecendo um mês a mais com o cateter.  É aí que nasce o perigo. 

A orientadora da dissertação, a professora da Faculdade de Medicina Mariângela Leal Cherchiglia, fala que “... o correto seria encaminhar esses pacientes rapidamente para a confecção de um acesso vascular permanente, chamado fístula artério-venosa, ou FAV”.  Mas, segundo a dissertação, "... há número insuficiente de profissionais no SUS para fazer a FAV”.

Na pesquisa, Gisele Macedo sugere a utilização do período entre a entrada do paciente na clínica de diálise até o dia da confecção do acesso vascular permanente (FAV) como indicador de qualidade que possibilite o monitoramento desses serviços. "Acredito que, assim, as clínicas de hemodiálise se esforcem para diminuir esse prazo”, conclui Gisele Macedo

Tenho pra mim que ninguém lá no Núcleo de Nefrologia fica mais de 3 meses com o cateter.  Meu caso, por exemplo, que foi especial por causa do meu sobrepeso, ficou difícil da artéria amadurecer.  Eu implantei o cateter de longa duração no dia 18 de setembro, sexta feira.  Ao menor sinal de infecção, providenciaram a substituição do cateter de longa duração para um outro cateter.  Com isto fiquei por exatos 3 meses, mas com dois cateteres diferentes no período.

Mas aí volta ao velho assunto da desigualdade social deste país, do post 82.  Como eu estou longe de ser o público da pesquisa, não conheço nem de perto o que o povo do SUS passa.  Só fico muito satisfeito de nunca ter percebido, lá no Núcleo, nenhuma diferença de tratamento entre quem é SUS, quem é conveniado ou quem é particular, se houver.

Agora, acho que todo mundo que notar QUALQUER DIFERENÇA NO TRATAMENTO, em QUALQUER CLÍNICA DE HEMO que estiver, tem mais é que botar a boca no trombone.  




3 comentários:

Adriana disse...

Essa diferença é realmente cruel e perigosa.
Te parafraseando e até te corrigindo um pouco, acho que todo mundo que notar qualquer diferença em QUALQUER CLÍNICA, deve botar a boca no trombone.

Beijos

PC disse...

É ISTO, ADRIANA.
PORQUE EU ACHO A MAIOR SACANAGEM ESTA DIFERENÇA.

PC disse...

Mudei melhor, mais radical, Adriana.
Obrigado pela dica.