terça-feira, 11 de setembro de 2012

Investimento


Minha vida toda, do meu jeito atabalhoado, fiquei sempre preocupado com o que ia deixar pros meus filhos e netos. Principalmente depois do susto que o câncer me deu, o assunto ficou recorrente nas minhas inquietações.
Mas esses dias resolvi que quero que Tomás e os próximos netos tenham o que a vida pode lhes dar de melhor.

Resolvi investir em imóvel na planta.

Não encontrei nada que desse melhor rentabilidade para o futuro do Tomás.  E a coisa tem se demonstrado um sucesso.  Tudo funcionando às mil maravilhas...
Sabe aquela felicidade que você fica quando as ações nas quais você apostou tem uma alta record?  Pois é.  Tomás tá assim agora.  Anda com o burro amarrado na sombra.


O foco de suas atenções agora está voltado pra sua casa na árvore.  Não sai de lá nem pra atender telefone.  Só escuto ele falando, quando alguém chama:
-  Tô ocupado...


Não sai de lá nem que a vaca tussa.  Tá sempre cuidando do local.  Coloca uma flor aqui, uma mesinha pra fazer seus trabalhinhos ali, seus tambores e atabaques[1] ...
O lugar tá cada dia mais arrumado.
Semana passada ele inventou que queria uma geladeira na casa.  Pegou um isopor, colocou umas frutinhas, suco de manga e gelo, e refestelou-se como se a coisa tivesse ganho uma classificação 5 estrelas da Embratur.


Mas não pense você que vai entrando, quando chegar lá.  Tem que obedecer as minhas regras, ele avisa.
Nem o Brutus, o gigantesco filho da Nera, nossa dinamarquês (R.I.P. U), com o Fidel, o pachorrento labrador do Meu Sítio, foge à regra.


Fico lembrando, vendo Tomás, de uns versos de Fernando Pessoa que me desafiam, desde que me defrontei com eles, pela primeira vez:

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa e, com sensíveis
Movimentos da esp’rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte –
Os beijos merecidos da verdade.

O que o futuro te reserva é isto, Tomás.  O sonho.



Crédito das fotos para a avó da criança, em um celular Nokia, daqueles velhos e fulêros.



9 comentários:

B disse...

Gracinha demais! Se quiser, eu posso investir tambem... Tenho 10 reais para fazer uma parceria!

PC disse...

Tem mais árvore disponível no Meu Sítio.
Se você garantir que arranja um morador breve, tá fechado.
Resolve rápido, B.

fabiazita disse...

nossa, mas vc arrasou demais com essa, pc!!!!!!! e quando falo que você tem uma afinidade impressionante com o meu pai, não minto em nada. não sei se já te contei que a casa onde moramos até a morte dele, no anchieta, era conhecida como a 'casa da branca de neve'. muita gente tocava lá achando que era um jardim de infância, com nossa casinha de bonecas, as estátuas da branca de neve e os sete anões, a piscina, o parquinho, o canteiro de areia e um jardim enooorme. a casa onde morávamos mesmo sumia no meio de nossa disneylândia. e até hoje conheço gente que confessa a maior inveja pela minha infância, quando descobre que cresci ali. inveja que só não é maior do que minha gratidão e orgulho do meu pai. o tomás tb é um cara de sorte! <3

PC disse...

Téo, claro, tem camarote VIP esperando por ele.
Apareçam logo!

Adriana disse...

Linda demais!!!
Ela aceita pessoas grandes?

PC disse...

O Diogo não coube.
Mas, pra ele, não casado é adolescente.
Você se enquadra fácil, Adriana!

Rodrigo disse...

Olá, tudo bem? faço parte de um projeto que está recolhendo blogs com pessoas que contam sua historia de superação diante de algumas doenças. Encontrei neste blog o seu depoimento acerca do menino. Gostaria de saber se a pessoa responsável por ele estaria interessada em participar dessa divulgação. O site é sobre saúde e terá um local direcionado a depoimentos de diversas pessoas com problemas diversos. Se deseja participar com a sua história ou conhece outras pessoas que estejam dispostas a compartilhar a própria história, entre em contato comigo, através do e-mail rodrigosantosdejesus641@gmail.com

Desde já, agradeço a cooperação.

Marcia Ceschin disse...

Muito lindo! Amei!

PC disse...

Eu sempre choro, Márcia, vendo ele na casa.
E com o poema do Fernando Pessoa também. Acho que foi escrito pro Tomás...