sábado, 20 de fevereiro de 2010

Peso Leve - 44



Um corte ligeiro, no tempo da narrativa.

É que a Veja desta semana saiu com uma entrevista com o escritor inglês Nick Hornby, que, segundo a revista, é um dos principais nomes da ficção inglesa contemporânea. Pra Veja. Porque pra mim, nada pessoal, eu nem nunca tinha ouvido falar do caboclo.
E o pior é que eu fiquei na maior curiosidade pra ler “Um grande garoto”, onde ele retrata um sujeito de meia idade que se recusa a crescer. Estou achando que deve ter alguma coisa onde eu devo me reconhecer ali dentro. O neguinho até está com roteiro dele concorrendo a Oscar.

Mas o que me interessou nem é isto.

O cara tem um filho autista. E Veja perguntou se ele não cogitava de escrever alguma coisa, com toque de autobiografia, sobre esta experiência, de ter um filho autista. A resposta dele fala que a coisa pode acabar virando um peso para o leitor e que ele não consegue pensar em um jeito leve de tratar desta questão.
A citação da revista diz assim:
“Mesmo tendo um filho autista, não creio que teria o desejo de ler um livro sobre o tema. Se o livro se torna um peso para o leitor, não vale a pena. Não consigo pensar em um modo leve de escrever sobre isto.”

Tem hora que eu até acho que não me caiu a ficha direito do que significa ter um câncer.
O fato é que escrever sobre ele e sobre o trabalho que eu e Valente estamos fazendo juntos é que faz esta história perder a carga pesada de uma coisa difícil de ser conduzida.

Ontem, Rachel veio aqui em casa. Corri pra cama e me cobri, pra ficar com cara de doente, assim que ela entrou aqui em casa.
Ela me encheu de bolacha. Falou do medo que estava, desde setembro, de se defrontar comigo mal.
Morremos de rir a tarde toda.

Falar do Valente pra mim é mais ou menos como o Zé Alencar diz. Eu sei que vai ser como Deus quiser.
Mas enquanto isto, eu vou contando pra vocês sobre os bons momentos que Valente e eu estamos vivendo.

Escrever este blog está me fazendo um bem danado...

12 comentários:

Lucia disse...

E está fazendo um bem enorme prá mim também, querido PC. Me sinto próxima de vc, tipo apoiando, andando junto, coisas que não daria pra fazer pessoalmente.E alivia demais a minha preocupação com vc.Além de me fazer rir prá caramba, enquanto assoo o nariz, apesar da seriedade da coisa, vc dá, em cada post, uma aula de vivência, de humildade e de fé!! Assim, sinto eu, meu drama particular fica muito mais leve e me sinto um tanto forte para encarar seja lá o que Deus quiser. O José de Alencar deveria ser aplicado no seu blog. Beijos.Te amo.

PC disse...

E você acredita, Lúcia, que o meu médico da apendicite é de Cammpina Verde?
Acho que chama Luiz Felipe.
Fiquei com vergonha de perguntar "filho de quem".

Leo disse...

Esta é UMA das vantagens de escrever um blog.

Vc vai perceber, com o tempo, que existe uma quantidade de leitores silenciosos beneficiados com seus posts.

Talvez sejam aqueles que não têm mais paciência de ler sobre doenças escrito em auto-ajuda, mas por um ponto de vista mais realista e mais "bola prá frente" da situação.

Sinto falta de um blog seu sobre um marketing menos picareta e mais pragmático... eis algo que também faz falta por aí ;-)

PC disse...

Minha filha fala isto também, Leo.
Mas acho que fica meio sério demais. Aí fica pesado pra mim...
Sei lá. Uma hora eu animo.

Leo disse...

O desafio é escrever de forma que não encha o saco.

Mais ou menos igual vc está fazendo citando o Príncipe Valente ;-)

PC disse...

Pois é.
Ando pensando nisto.
Qualquer novidade, a gente se fala...

Lucia disse...

Paulo de Deus: Que coisa!! Isso é um fenômeno mesmo. Parece que os campinaverdenses são tipo Gremlins. A gente encontra em todo lugar do mundo!! Foi esse médico que te operou? Se vc tiver o sobrenome, fica fácil. Só com o primeiro nome, não consegui descobrir (ainda) quem é. Vou pesquisar mais. Nas férias de julho, ano passado, fui numa vernissage, no Sesiminas, de um amigo de biodança de uma amiga minha. Conversando com uma amiga desta amiga minha, não é que ela conhece Campina Verde, pq a amiga dela (que é nutricionista e mora em BH) é filha do Seu Hamilton, o meu taxista preferido daqui, que me leva e levava a Júlia pra todo lado - incluindo CV-Udi. Foi muita coincidência. Acho que mereço um prêmio do CDL daqu, por ter incentivado o uso de táxi, coisa que o pessoal do meu convívio não usava, sei lá p q. Só sei que a freguesia dele aumentou. bjs e ótima semana.

Adriana disse...

E eu adoro ler!!!
Beijos

PC disse...

Vou ver se pego o nome dele, Lúcia, e te falo.
Prepare para ser presidente do CDL daí.
Beijos

PC disse...

Sem você, Adriana, perde metade da graça.

Beijos também

Glória disse...

Paulinho, como não conhece o Nick Hornby? Ele é o há de melhor na literatura inglesa contemporânea.
Vou lhe dar todos os seus livros, cara.
Glória

PC disse...

Já coloquei um mea culpa logo de cara no post, Glória.
Nem nunca ouvi falar.
Quer dizer, até ontem.
Agora estou correndo atrás mais ainda, depois desta sua dica.