quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Filho Homem II - O retorno - 36


Aí teve um dia que Gêisa não pode dormir comigo. Lá foi Diogo, ficar de acompanhante. Pra azar meu, uma noite de final de campeonato universitário de basquete.

Americano.

Coisa que não dava nem notícia no jornal, de tanta desimportância.

Eu lá, tentando me ajeitar na cama, solto um grunhido na direção do Diogo:
- Filho, me cobre com o lençol, que eu estou com frio...
Com os olhos fixos na televisão, Diogo leva a mão até a cama do acompanhante e, sem desdobrar nem nada, lança o lençol na direção da minha cama. Só deu tempo deu eu gritar – Cesta!, esperando que ele entendesse que o lençol havia atingido o alvo mas que ele precisaria me cobrir. Diga-se de passagem, ele cumpriu a tarefa razoavelmente bem, mesmo sem tirar os olhos da televisão...

Fora isto, Diogo foi o acompanhante ideal. Eu não ficava tolhido. Podia me mexer à vontade que ele não dava notícia. Só havia duas coisas que faziam Diogo dar sinal de vida. Ou quando eu o chamava pelo nome – e ele se levantava imediatamente pra me atender – ou quando eu soltava sonoros puns que faziam as paredes do hospital estremecer. Nestes casos, sem mexer com os olhos, ele abria um sorriso, orgulhoso do poder de fogo do pai.

Ocorre que tinha sido justamente nesta noite que eu havia começado a medir o volume do meu xixi. Toda hora que eu quisesse urinar, lá ia eu pedir ao Diogo que me trouxesse a comadre.

Já na segunda vez que foi acordado naquela noite, sem se dar conta da importância que aquela ação tinha para o meu caso, Diogo perdeu a paciência e falou bravo, ainda tonto de sono:
- Vê se segura sua onda, que eu não vou ficar levantando a noite inteira não...

9 comentários:

Adriana disse...

Vou defender meu primo.
O Diogo se esforçou muito e acho que se saiu muito bem.
Foi dormir no hospital na Final de Campeonato Universitário de Basquete AMERICANO!!!
É muito desprendimento!

Beijos

PC disse...

É mais ou menos, Adriana, ver a final do time de futebol do Colégio Ibituruna contra o Cachoeirense Atlético Clube, de Cachoeira da Prata.
Como se diz em Cachoeira, é desprendimento sem base...

Beijos, Suli. disse...

hahahahahahahah.... "poder de fogo do pai"... hahahahaha.... adooooooro.
Beijos, Suli.

PC disse...

Não ri não que a barra, no caso, é pesada, Suli...

Beijos

Anônimo disse...

Esse é o meu afilhado!!!!!!!!!!
Orgulho de todos nós!!!!!!!!

Anônimo disse...

O Diogo agiu corretamente, poxa! Só porque estava em um quarto de hospital, após a retirada de um "simples" rim, quando se tem dois, acha que tem direito a tudo. Vá se catar! Por que não levantou você mesmo? Dou a maior força para o Diogo.

Cuca

PC disse...

Pois é, é muito desprendimento, o deste menino...
Tem hora que eu acho mesmo que minha mãe me mimou demais.

Flavia disse...

ainda bem q vc já está em outra fase..... eu ia até providenciar um pedido ao ESPN p/ não passar jogos de basquete da liga americana..... o Diogo tb..... sem visão.... ah nem..... bjs

PC disse...

Diogo morria, sem basquete, Flávia.
Até Tomás já virou torcedor...